...PORQUE ME PERTENCEM...
Ou porque as sinto, obras
minhas
Ou porque gostaria de as ter
inspirado
Não avisarei ou pedirei
autorizações
Porque tenho o direito de me
encantar
E deixar que se encantem,
todos
Os que este local
procurem.
Pronto a aceitar as punições
devidas
Apenas agradeço ao
Universo
ter-me colocado na rota,
destes
Que em vida
Constroem a sua e, com ela
A humana
imortalidade.
Palavra a
palavra
Pincelada a
pincelada
Cinzelada a
cinzelada
ou
Olhar a
olhar...
Por favor,
deliciem-se...
A Noite que à Noite se Sobrepõe
( A tua poesia caro Filipe, vagueia num tempo sem tempo, num espaço que beira o vácuo de sentido cheio, onde se mergulha, sem volta aparente... Mas o que a torna absolutamente incontornável é esta emoção profunda, de que não fugimos nunca, quando dela nos abeiramos... Por isso, não tenho dúvida, mantêr-se-á viva, ainda que, "para além da hora"...)
Um dia
o dia será
Ausência
Por fim
o tempo cessará
Infinitamente
Como noite que à noite se sobrepõe
A sombra à sombra se sobreporá
Como uno momento
Como definitiva forma
Infecundadas são todas as negras primaveras
Assim como estéril é o corpo por fecundar
Inútil é o tempo consagrado à treva
Assim como toda a reza é ineficaz
Longos suspiros são mil murmúrios
Vagos abismos de inacessíveis altares
Na noite
ausente será
A memória
Sem fim
a utopia cessará
Definitivamente
Como voz sobre o vácuo vertida
Como verso de um poema vazio
Conheça mais... FILIPE CAMPOS MELO

















