quarta-feira, 22 de maio de 2013

SEM LICENÇA IX











MADRUGA-ME A SEDE

(É este Maria, o poder rubro da palavra, que te faz íngreme. É deste eriçado manto desassossego, que bule com a consciência da inconsciente levitação do espanto. Nesse olhar que sobre as coisas tens, sobre o que sentes, dizes... mantém-se permanente, o encanto...que me chega sempre...)


ás vezes madruga-me a sede

subo menina à cama
enquanto a tua voz canta
trago da tua pele sinais
pássaros em gomos declarando sol
acabou o café
o frio regressa ao cair das horas
entardece
as palavras são crepúsculo
à hora em que toca o sino
guardamos o som da água
na homilia do cinema 
o pátio é de pedra
onde a lua nos consola a boca
o mel renasce-me nos poros
onde a grande tarefa é respirar desertos
adornados de usura onde só tu me sabes
" a noite outrora não tinha céu
o dia não tinha chão"
agora
o amor é o catre das artérias
palpitando no sexo
samba em que me cedo
cravo na terra mordendo cego
instante a gemer entre paredes
aqui - violo no orgasmo a paz
roubo o silêncio das noites
com os olhos abertos para dentro
o alfabeto dos homens na água das mulheres
o limo a contornar a nuca
a cidade no bico dos seios embalsamada
o verão na luxuria dos livros
e o tempo a fio no que dizes
eu
digo-te coisas naturais
tu fazes escapulir peixes em cardumes
na rua  dobrada no vapor da boca
onde eu chego
mesmo quando parto









PINTURAS: MARIA ANDERSEN






(Escritora e Artista plástica)








sexta-feira, 19 de abril de 2013

SEM LIÇENÇA VIII










um dia diferente...

(… Cecília?

Imagino-te sempre, despertando entre o pôr e o nascer do sol, no vigor das luzes ténues...Revelas-te na beleza das sombras intocáveis, na luz vaga do amor pungente, constante surpresa... 
Dos perfumes, dos sabores e dos braços quentes, com a irresistível forma alma que incondicional ama, é frequente deixar-me ir nessa luz... que te traz difusa e especialmente bela, sempre, na forma e jeito insondável, com que te revela os movimentos...
Não sei, ainda hoje, como fazer passar o tempo sem te beber amiúde, sentindo-te ,nessa tua arte... MAIOR... nesse teu jeito de me manter desperto... nesse teu... ECO DO SILÊNCIO) 




Era um dia diferente
Quente, excessivamente húmido
Invadido por uma brisa que quase queimava
Os ocres eram mais intensos
Ouvia-se um piano
Sim, acordes possantes dum piano
As folhas caíam, como caem todos os dias de outono
Mas naquele dia era diferente
Talvez caíssem mais lentamente
Como o silêncio que se fazia sentir naquela tarde
Respirava-se volúpia em cada poro
Talvez fosse isso…
Percebeu-se quando os pássaros esvoaçaram em bando
O piano tocava
E o ar quente desvendava silhuetas embriagadas
Unas
E o piano tocava imponentemente
E o desejo gritava da terra
Da cama
Do restolho
E os olhares bebiam-se na pele
E o gemido do piano
E as folhas dos plátanos
E o êxtase da paixão
Era um dia diferente, quente
E o toque
E o desabrochar extasiado dos aromas
E à volta, não acontecia nada
E tudo acontecia num só tempo, ali, naquele instante
E as peles queimavam-se em toques levíssimos
E os pássaros esvoaçavam em bando
E as bocas silenciavam palavras
Os lábios humedeciam os corpos
Era um dia de outono, diferente
Excessivamente húmido
Ardentemente exaltado
E o piano tocava
E as bocas beijavam-se
E as sombras incendiavam
E os corpos deixavam-se morrer, lentamente
Ébrios
Jaziam na paixão esventrada
Voluptuosa
Em silêncio, sem tempo
Era um dia diferente…










quarta-feira, 6 de março de 2013

SEM LICENÇA VII


 
 
 
...PORQUE ME PERTENCEM...
 
Ou porque as sinto, obras minhas
Ou porque gostaria de as ter inspirado
Não avisarei ou pedirei autorizações
Porque tenho o direito de me encantar
E deixar que se encantem, todos
Os que este local procurem.
Pronto a aceitar as punições devidas
Apenas agradeço ao Universo
ter-me colocado na rota, destes
Que em vida
Constroem a sua e, com ela
A humana imortalidade.
Palavra a palavra
Pincelada a pincelada
Cinzelada a cinzelada
ou
Olhar a olhar...
Por favor, deliciem-se...
 
 
 


 
DEAR SASHA...
 
( Há sempre um ar que ama, quando refletes o que vês ou recebo, o que de ti sinto…É como uma dança, em que o universo se conjuga e em paz se julga.
Talvez por isso, amada na medida em que amas, seja o teu karma… ou a minha sorte...)
 
 
 
Vislumbro-te
o infinito da alma...
 
 
 
 Na forma
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  única, que o teu olhar tem...
 


 
 

Na luz, que lúbrica
os teus olhos dizem...
 
 






...A paixão...






                   































...Amante...





 

                                                                                                                                                                                                                              

Nas cores
Que inquietos, teus dedos escrevem...
 
 
 
 




 
E do chão, ardendo chama
Como força, que a Primavera
O Março espera...

   Os dias serão, então
   Longos e quentes
O céu, azul quimera...
...Do sol ardente, o fim da espera...







 
 
 
 
 
 
 
 
 








 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

SEM LICENÇA VI










GOSTO... APENAS ISSO!
(Meu caro Paolo, és um poeta imperdivel! Culto e atento, contas o teu tempo de forma rara, sendo para ti claras imagens que, para a maioria, não passam de ténues percepções, quando muito... É um enorme previlégio, ser por ti guiado ao mundo que só tu contas!)



Gosto...
apenas isso !
 
          Inviolável sensação;
                Frase curta
                     com sujeito e adjetivo -
                            ocultos ou não,
                                      ora possessivos, ora de negação.

Pode ser substantivo
    este verbo transitivo -
         agora sem acento de diferenciação                                            
                   e, por isso, confundido
                         ao sabor da entonação.
                                                                                               
Gosto...                                                            
apenas isso !
 
         Simples confissão;
                por sí só, um poema,
                    um espasmo do coração;
                         palavra que sintetiza a vida
                                    por apontar-lhe uma direção.

 
Gosto...
apenas isso !




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 








 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

SEM LICENÇA V



...PORQUE ME PERTENCEM...
Ou porque as sinto, obras minhas
Ou porque gostaria de as ter inspirado
Não avisarei ou pedirei autorizações
Porque tenho o direito de me encantar
E deixar que se encantem, todos
Os que este local procurem.
Pronto a aceitar as punições devidas
Apenas agradeço ao Universo
ter-me colocado na rota, destes
Que em vida
Constroem a sua e, com ela
A humana imortalidade.
Palavra a palavra
Pincelada a pincelada
Cinzelada a cinzelada
ou
Olhar a olhar...
Por favor, deliciem-se...











(Não é a meus pés que eu quero o amor. Porque é à altura da minha alma, que eu quero ser amado…
É assim, minha querida Marcia "de além-mar", que me chega sempre a tua poesia, olhos nos olhos, adulta, que ora subtil e doce, ora tão crua e dolorosa, me estimula sempre a subir o olhar, elevando-me. Surpreendido, a cada passo que te descubro, tenho sempre a sensação que navego sobre um manto sob o qual tudo é conhecido, pacífico porque entendido… Bendigo as horas que passei já, debruçado sobre a tua poesia!)






ADEUS
As pestanas repousavam em sua face,
como um leque negro..
Sua sombra pareceu deslocar do corpo
e passar por minha pele como
se fossem mãos divinas.....
Seus olhos me atravessaram e
seguiram para além,
até um lugar de sofrimento,
um inferno íntimo, desconhecido,
que não me era dado penetrar...
Nesse momento,
você se tornou o canto ilusório
de uma poesia, em um silêncio
que feria meus ouvidos;
parecia uma figura medieval encerrada
em esguia catedral...
Com seu amor, tomou-me pela mão
e ao sentir seu calor, foi como se
o escuro tivesse vida,
tivesse forma,tivesse gosto,
e não fosse nem dia,nem noite....
Com sua voz na minha,
disse adeus...


...e porque não resisto... 

 PSIU!... SILÊNCIO


Psiu!....silêncio
       O tempo dorme.
                    Ao despertar apressado,
                                    vai me encontrar.

               Quando eu for.....
                                  Não matem,
                                                                    flores em mim....








Conheça mais... MARCIA PORTELLA

... e mais...

EVIDÊNCIAS


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

SEM LICENÇA IV



 
...PORQUE ME PERTENCEM...
 
Ou porque as sinto, obras minhas
Ou porque gostaria de as ter inspirado
Não avisarei ou pedirei autorizações
Porque tenho o direito de me encantar
E deixar que se encantem, todos
Os que este local procurem.
Pronto a aceitar as punições devidas
Apenas agradeço ao Universo
ter-me colocado na rota, destes
Que em vida
Constroem a sua e, com ela
A humana imortalidade.
Palavra a palavra
Pincelada a pincelada
Cinzelada a cinzelada
ou
Olhar a olhar...
Por favor, deliciem-se...
 
 
 
 




A Noite que à Noite se Sobrepõe

( A tua poesia caro Filipe, vagueia num tempo sem tempo, num espaço que beira o vácuo de sentido cheio, onde se mergulha, sem volta aparente... Mas o que a torna absolutamente incontornável é esta emoção profunda, de que não fugimos nunca, quando dela nos abeiramos... Por isso, não tenho dúvida, mantêr-se-á viva, ainda que, "para além da hora"...) 




Um dia
          
               o dia será

                                 Ausência



Por fim
      
                o tempo cessará

                                           Infinitamente





Como noite que à noite se sobrepõe
A sombra à sombra se sobreporá


                                                 Como uno momento
                                                 Como definitiva forma





Infecundadas são todas as negras primaveras
Assim como estéril é o corpo por fecundar


Inútil é o tempo consagrado à treva
Assim como toda a reza é ineficaz




Longos suspiros são mil murmúrios
Vagos abismos de inacessíveis altares





Na noite

                ausente será

                                       A memória


Sem fim
 
                a utopia cessará

                                           Definitivamente






Como voz sobre o vácuo vertida
Como verso de um poema vazio




 
Conheça mais... FILIPE CAMPOS MELO
 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

SEM LICENÇA III




...PORQUE ME PERTENCEM...
 
Ou porque as sinto, obras minhas
Ou porque gostaria de as ter inspirado
Não avisarei ou pedirei autorizações
Porque tenho o direito de me encantar
E deixar que se encantem, todos
Os que este local procurem.
Pronto a aceitar as punições devidas
Apenas agradeço ao Universo
ter-me colocado na rota, destes
Que em vida
Constroem a sua e, com ela
A humana imortalidade.
Palavra a palavra
Pincelada a pincelada
Cinzelada a cinzelada
ou
Olhar a olhar...
Por favor, deliciem-se...



 
 
 
 
 
CAFÉ NA LUA
 
 
(Cantas o recondito profundo do divinal ser, com a divina forma de cantar o profano, insana proibição... Real, crua, imaginação da libido no seu estado mais puro de sedução, sem nunca descompor a arte. És rara, talvez única, neste expressar do interior humano, de forma tão bela...
A minha escolha...? Razões que a razão desconhece, no repentismo de um enorme talento... Em poesia!
 


Não sei desse cheiro dos cafezais
Mantos verdes enluarados
...
O orvalho da pele humedecida
No tacto dos dedos aromas carnais
Entre olhares enfeitiçados
E a lua consentida

Por um poema teu
Um café na lua ou eu
E toda a nossa vida

Brilha nos olhos o café ardente
Esperam por nós rubras bagas
Na pele suada e quente
As minhas mãos guardas
Que meu olhar consente
Há motivos desenhados
Arabescos com café
Traços embainhados
Como quem pinta com o pé
A desenha a sedução
Na pele nua do teu ser
Que cheira a excitação
Depois de uma noite de prazer

Por um poema teu
Um café na lua ou eu
E toda a nossa vida por contar

E há cestos levando sonhos à lua
E mãos que colhem doces sentidos
E aromas da tua pele nua
Nos lábios e na boca travos perdidos
Sabor e gosto a tua pele crua
No fundo da chávena desejos tidos
…
 
Há um aroma a café quente
que minha pele, na tua inventa...
Não sei o nome, mas sei da lua
A pele que minha, a tua tenta...
 
É um fragor, uma unção de sabor a menta... e sedução