Que me desculpem todos... Ela...é rebento meu flor de meu sangue... Amor, de mim amante é voz...que Deus lhe deu...! Que iluminados e sem dor, sejam os passos todos, que deres...
E um dia destes...
ouvi-la-ão dizer ainda, coisas como...
Há um brilho que só eu sei te nasce, quer queiras quer não Independentemente, da luz com que amanheces Inverno ou Verão...
Sabes, estive muito indeciso, sobre a escolha do poema para colocar aqui. Tu és, de facto, uma escritora riquíssima e inspiradora. Mas és, sobretudo pelo que te revelas enquanto escreves, um ser Humano imenso. Desde o primeiro dia, que toquei o teu talento, tenho essa percepção, que segue... em crescendo. Um ser humano inteiro, lúcido e cheio de coisas para serem escutadas. E este belíssimo poema, entre muitos outros, oferece-nos pistas, para as razões desta percepção. Crê-me um enorme admirador, encantado sempre pela tua expressão... na forma, conteúdo e... SER!)
(É
este Maria, o poder rubro da palavra, que te faz íngreme. É deste
eriçado manto desassossego, que bule com a consciência da
inconsciente levitação do espanto. Nesse olhar que sobre as coisas
tens, sobre o que sentes, dizes... mantém-se permanente, o
encanto...que me chega sempre...)
Imagino-te
sempre, despertando entre o pôr e o nascer do sol, no vigor das
luzes ténues...Revelas-te na beleza das sombras intocáveis, na luz vaga
do amor pungente, constante surpresa...
Dos
perfumes, dos sabores e dos braços quentes, com a irresistível
forma alma que incondicional ama, é frequente deixar-me ir nessa
luz... que te traz difusa e especialmente bela, sempre, na forma e jeito
insondável, com que te revela os movimentos...
Não
sei, ainda hoje, como fazer passar o tempo sem te beber amiúde,
sentindo-te ,nessa tua arte... MAIOR... nesse teu jeito de me manter
desperto... nesse teu... ECO DO SILÊNCIO)
Era um dia diferente
Quente, excessivamente húmido
Invadido por uma brisa que quase queimava
Os ocres eram mais intensos
Ouvia-se um piano
Sim, acordes possantes dum piano
As folhas caíam, como caem todos os dias de outono
Mas naquele dia era diferente
Talvez caíssem mais lentamente
Como o silêncio que se fazia sentir naquela tarde
Respirava-se volúpia em cada poro
Talvez fosse isso…
Percebeu-se quando os pássaros esvoaçaram em bando
O piano tocava
E o ar quente desvendava silhuetas embriagadas
Unas
E o piano tocava imponentemente
E o desejo gritava da terra
Da cama
Do restolho
E os olhares bebiam-se na pele
E o gemido do piano
E as folhas dos plátanos
E o êxtase da paixão
Era um dia diferente, quente
E o toque
E o desabrochar extasiado dos aromas
E à volta, não acontecia nada
E tudo acontecia num só tempo, ali, naquele instante
(Há sempre um ar que ama, quando
refletes o que vês ou recebo, o que de ti sinto…É como uma dança, em que o
universo se conjuga e em paz se julga. Talvez por isso, amada na medida em que amas,
seja o teu karma… ou a minha sorte...)
Vislumbro-te
o infinito da alma...
Na forma
única, que o teu olhar tem...
Na luz, que lúbrica
os teus olhos dizem...
...A paixão...
...Amante...
Nas cores
Que inquietos, teus dedos escrevem...
E do chão, ardendo chama Como força, que a Primavera O Março espera...
Os dias serão, então Longos e quentes O céu, azul quimera... ...Do sol ardente, o fim da espera...
GOSTO... APENAS ISSO! (Meu caro Paolo, és um poeta imperdivel! Culto e atento, contas o teu tempo de forma rara, sendo para ti claras imagens que, para a maioria, não passam de ténues percepções, quando muito... É um enorme previlégio, ser por ti guiado ao mundo que só tu contas!)